Ecoa - Rios Vivos

Você está em:
09/03/2010

BNDES bate recorde de desembolsos à AL

Folha de S. Paulo
Em 2009, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) bateu o recorde em sua linha de financiamentos às exportações de serviços e bens brasileiros para a América Latina e o Caribe: desembolsou US$ 726 milhões a países da região, sobretudo para a contratação de obras de infraestrutura, realizadas por empreiteiras brasileiras.

Na média anual do primeiro mandato de Lula (2003 a 2006), os desembolsos ficaram em US$ 352,1 milhões -cifra 26% superior à média do segundo governo FHC. Essa média subiu 77% no segundo mandato de Lula, para US$ 622 milhões, segundo dados compilados a pedido da Folha. Lançada em 1997, a linha especial de crédito já movimentou US$ 4,9 bilhões na América Latina.

O aumento coincide com a ênfase do governo na liderança regional e na internacionalização das empresas brasileiras. Argentina, República Dominicana, Equador, Venezuela e Chile lideram a lista dos tomadores dos empréstimos.

Entre as construtoras, a Odebrecht, há 30 anos no mercado externo, foi a maior beneficiada. Dos cerca de US$ 600 milhões que a empresa recebeu em 2009 dessa linha do BNDES, 80%, ou US$ 480 milhões, foram referentes a contratos na Argentina e na República Dominicana -o restante corresponde a Angola.

De um lado, o programa visa promover exportações de bens e serviços brasileiros -de 50% a 80% do valor da obra é financiado pelo BNDES, para compras de produtos do país. De outro, cobre uma lacuna de crédito em alguns países.

"São esses os nossos clientes. Não dá para ser nem uma Suíça nem uma Dinamarca. Esses não precisam. Ou a gente faz ou não tem ninguém para fazer", disse Luciane Machado, superintendente de Comércio Exterior do BNDES. Os projetos incluem hidrelétricas, gasodutos, rodovias, ônibus e linhas de metrô. O BNDES não financia bens, serviços e mão de obra do país que contrata a obra.

Para Kurt Müller, diretor da Abimaq (associação da indústria de máquinas), o programa "alavanca" as vendas nacionais do setor. Cerca de 40% do valor total das operações, afirma, se refere a bens exportados. "A construtora brasileira sempre prefere levar uma máquina a que já está acostumada."

Luiz Antonio Mameri, presidente da Odebrecht América Latina e Angola, diz que a linha é "extremamente importante", embora o que a empresa recebe do BNDES signifique apenas 10% de seus ingressos por obras em 18 países -um total de entre US$ 6 bilhões e US$ 6,5 bilhões em 2009.

"Há uma interpretação incorreta de que o Brasil financia obra em outro país, quando financia bens e serviços brasileiros, gerando impostos e movimentando a economia aqui", diz Mameri, recém-chegado de Cuba, onde a empresa inicia ampliação de porto financiada pelo BNDES. Segundo ele, nas obras no exterior com outra fonte de financiamento a proporção de bens e serviços brasileiros usados pela Odebrecht cai de cerca de 60% para 5%.

No mercado externo há quatro anos, a OAS já construiu uma rede de gás no Uruguai com recursos do BNDES e articula mais três financiamentos, num total de US$ 1,1 bilhão, para uma rodovia na Bolívia e um aqueduto e uma hidrelétrica na Argentina. "10% do nosso faturamento tem origem no exterior. A meta é chegar a um terço em 2012", afirma Cesar Uzêda, diretor da área internacional da construtora.

Estudo do BNDES qualifica de "altamente competitivo" o mercado internacional de serviços de construção. Na África, quase 50% das empresas contratadas vêm das metrópoles europeias, embora os chineses, agressivos no financiamento, já tenham 21% do mercado.

Riscos

Segundo Machado, do BNDES, a linha de crédito à exportação para a América Latina tem risco menor do que a média do banco porque os contratos são garantidos pelo CCR (Convênio de Crédito Recíproco), sistema de compensação entre bancos centrais.

"Mesmo na moratória argentina, os empréstimos foram pagos. Uma vez o crédito cursado, ele é irrevogável", afirma ela. Cuba, que não está no CCR, deu como garantia conta no exterior que recebe receitas de suas exportações.

Em 13 anos, o BNDES enfrentou somente um contencioso, com o Equador, que contesta em tribunal internacional as condições de financiamento à construção de uma hidrelétrica pela Odebrecht.

Apesar da disputa, os pagamentos continuam.




Usuário
Usuário
Estas instituições apóiam projetos da ECOA e Coalizão Rios Vivos e não necessariamente as informações veiculadas no portal.
 New World Foundation IUCN B1u3 Moon Mott Foundation
2004 © ECOA. Todos os direitos reservados
ECOA- ECOLOGIA E AÇÃO (67) 3324-3230