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12/03/2010

Estrangeiros disputam o setor de etanol do Brasil

Alemanha – Handelsblatt / Tradução – Embaixada do Brasil em Berlim
Foto: Divulgação
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Entre os cinco maiores produtores de etanol agora apenas um grupo está em mãos brasileiras – todas as outras empresas são controladas por estrangeiros. Os líderes são, além da petrolífera Shell, a companhia de commodities Louis Dreyfus, a produtora de açúcar Tereos, da França, e a empresa de comércio americana E.U. Bunge. O processo de aquisição e fusão agora pode acelerar ainda mais depois que a gigante petrolífera Shell fundou com a líder do mercado brasileiro, Cosan, no início de fevereiro, uma joint venture no valor de 12 bilhões de dólares. Até agora, das grandes companhias petrolíferas, apenas a British Petroleum possui uma pequena participação no Brasil. “Investimentos dos concorrentes da Shell e da BP no Brasil são apenas uma questão de tempo”, avalia Luiz Carlos Corrêa Carvalho, da consultora Canaplan.


A demanda por biocombustíveis cresce no mundo inteiro.


O governo brasileiro pretende travar a investida da concorrência estrangeira através de investimentos na companhia petrolífera estatal Petrobras. A gigante petrolífera planeja investir, até 2013, US$ 4,5 bilhões na indústria do etanol. A Petrobras visa aumentar sua produção para 4 bilhões de litros em três anos. Isto soa pouco realista; seria um bilhão de litros a mais do que a produção da líder de mercado Cosan.


No mundo inteiro cresce a demanda por biocombustíveis. A maioria dos países industrializados introduziu por razões de proteção do clima, regras para a mistura compulsória de biocombustível na gasolina. O consumo de etanol na Europa e os EUA em breve deve ultrapassar a produção doméstica. Por este motivo, as empresas petrolíferas estão procurando pólos competitivos para a produção de biocombustíveis. Neste contexto, o Brasil é o local mais interessante para investimentos. De um lado, porque o número dois entre os produtores de biocombustíveis do mundo já produz etanol em grande escala e de maneira competitiva com base na cana-de-açúcar.

De outro, porque o país possui muitos anos de experiência na utilização do etanol em larga escala para a sua frota de automóveis.


Por um lado, o Brasil oferece um importante mercado interno para o etanol e por outro tem a tecnologia para o uso do etanol, como, por exemplo a tecnologia dos motores flex fluel desenvolvida no Brasil, que possibilita o uso de gasolina e álcool em qualquer mistura. Desta forma, a Shell e a Cosan, na primeira etapa, vão distribuir a produção de etanol através da rede brasileira de 4.500 postos de gasolina. No futuro, a nova companhia vai alimentar a rede de distribuição global da Shell. A onda de aquisições na indústria do etanol do Brasil está se acelerando no momento, porque a indústria pode esperar com a nova safra de cana-de-açúcar os primeiros lucros dos últimos três anos. A cotação do açúcar chegou a um novo nível histórico.


Os custos para a construção de usinas de etanol aumentaram muito.

Além disso, o preço do petróleo, do qual depende a demanda por etanol no Brasil, poderá agora permitir a produção com lucro. Mas muitas empresas ainda estão com pouca liquidez, dado que se endividaram durante a euforia dos biocombustíveis, a partir de 2006. Com a crise financeira e os preços do petróleo em queda, os cálculos das empresas não deram certo. Além disso, o Real forte fez com que os planos das companhias fossem frustrados. Apesar de ganhos significativos de produtividade, os custos de produção para um litro de álcool subiram de 17 centavos de dólar, em 2002, para 45 centavos hoje.

Com isto, os custos de investimento em novas destilarias subiu muito. Portanto, agora as empresas estrangeiras preferem comprar instalações existentes que passam por dificuldades financeiras. Desta forma, a companhia de açúcar indiana Shree Renuka Sugars investiu um total de cerca de 600 milhões de dólares na aquisição e ampliação de duas empresas brasileiras para ampliar sua base de produção global fora da Índia. “Os preços retornaram ao patamar normal”, diz o presidente Narendra Murkumbi; “há três anos, especialmente os investidores financeiros contribuíram para a alta dos preços. Eles já se foram.” No Brasil dizem que a Petrobras está atualmente preparando uma participação de 40% na ETH Bionenergia.

ENERGIA A PARTIR DE ETANOL


Tecnologia. Com os investimentos estrangeiros aumentam as chances de que o Brasil também participe da segunda geração da tecnologia de etanol, por exemplo, por meio de pesquisas sobre o etanol celulósico. No futuro, em vez de milho ou cana-de-açúcar, a celulose vegetal será usada para produzir combustíveis. O bagaço e as folhas da cana-de-açúcar poderão ser aproveitados.

Balanço energético. O etanol de cana-de-açúcar é o biocombustível com a maior produção de energia por hectare. Um litro de etanol contém nove vezes mais energia do que a usada na produção. Nenhum outro produto agrário possui um balanço energético tão positivo como a cana-de-açúcar.

Alexander Busch




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