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04/02/2010

Pantanal poderá sofrer maior enchente do século

Correio do Estado
Vários bairros de Miranda foram atingidos com a cheia do rio que corta a cidade. Foto: TV Morena
Vários bairros de Miranda foram atingidos com a cheia do rio que corta a cidade. Foto: TV Morena

Depois de um ano atípico em 2009 – cheia de rio, planície seca e vazantes em agosto e não em julho - , as águas se antecipam no Pantanal e os especialistas já estão prevendo inundações mais cedo em toda a Bacia do Rio Paraguai em 2010. A subida repentina do nível do principal rio pantaneiro, a partir de dezembro, sinaliza sempre uma cheia significativa no próximo ano, alertou a Embrapa Pantanal.

Mantendo um ciclo de seca desde o início deste milênio, o comportamento das águas no Pantanal é reflexo das alterações ambientais no seu entorno e mudanças climáticas, a começar na Amazônia, que tem influência na região.

A enchente recorde ocorreu em abril de 1988, quando o Rio Paraguai atingiu 6,64 metros. A segunda maior cheia foi em 1905 (6,56 metros).

Por conta da intensidade das chuvas nas cabeceiras e afluentes, entre os quais o Taquari, que inundou Coxim, a planície deverá receber mais água este ano. A régua que mede o nível do Rio Paraguai em Ladário – referência no comportamento das águas – registrou a marca de 1,95 metros ontem. O rio subiu 70 centímetros desde dezembro. O pico de 2009 foi de 3,30 metros, em 2 de agosto,e significou ano seco.

“Se continuar subindo cerca de dois centímetros por dia, em 31 de janeiro o Rio Paraguai poderá estar com 2,50 metros”, analisa o pesquisador Ivan Bergier, da Embrapa Pantanal. “Caso isso aconteça e as chuvas continuem fortes em janeiro e fevereiro, o nível máximo do rio deve ficar certamente acima dos 4 metros”, adiantou Bergier, que em 2008 criou um novo modelo estatístico de previsão, o Modelad.

Em Porto Murtinho, o Paraguai vem subindo numa média de 8 centímetros diários, conforme informações da Marinha. No dia 17, domingo pela manhã, o nível do rio estava em 3,48 metros, índice também atípico para esta época do ano. Na região, as chuvas atrasaram e somente depois de 31 de dezembro de 2009 é que ganharam intensidade verificada nas demais regiões do Estado.

Do outro lado da fronteira, no Paraguai, fazendeiros reclamavam da seca e estavam sendo obrigados a buscar água em longas distancias para dar a gado. Os terramares (açudes, na língua guarani) passaram boa parte do ano sem uma gota d’água. Agora, em 15 dias estão jogando água para fora.

Novo ciclo?

O nível de quatro metros anuncia cheia, inunda campos hoje castigados pelas prolongadas estiagens. A primeira previsão da Embrapa Pantanal foi considerada prematura pelos fazendeiros, porém as chuvas se intensificaram em janeiro, elevando os níveis dos afluentes Cuiabá, Piquiri, São Lourenço e Taquari. O Cuiabá subiu 2,48 metros em quatro dias e deve atingir 5,60 metros no início de fevereiro.

A Embrapa ainda não dispõe do volume de chuvas, os pesquisadores estão em férias. Segundo os pantaneiros, o Taquari “bufou” na Boca do Caronal e já inunda o Paiaguás. A Nhecolândia também começa a receber água no Corixão. Estas subregiões sofreram grandes inundações no período de 70/90 e, na última década, os fazendeiros construíram poços artesianos e açudes para garantir água para o gado.

No alto Pantanal, as chuvas têm sido mais intensas. Em Cáceres (MT), o Paraguai subiu 2,01 metros em 48 dias, atingindo ontem 3,90 metros – maior nível dos últimos três anos na data. O Piquiri está um metro acima  em relação à marca de 2009. Segundo o pesquisador Ivan Bergier, são grandes as chances de o Paraguai ficar entre 5 e 6 metros em 2010. O pico da cheia seria antecipado para abril.

Silvio Andrade




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