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24/06/2009

Pesquisa sobre evolução do Pantanal pode ser prejudicada

Baía Vermelha - Serra do Amolar. Foto: André Siqueira
Baía Vermelha - Serra do Amolar. Foto: André Siqueira
Com a prisão dos pesquisadores norte-americanos e brasileiros, no dia 17 de junho pela Polícia Federal (PF), em Corumbá, as pesquisas sobre a geomorfologia fluvial e a evolução geológica quaternária do Pantanal podem ser prejudicadas.

Em carta sobre o episódio, Mario Luis Assine, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Geociências e Meio Ambiente da Unesp, afirma que as acusações de biopirataria, geopirataria e crime ambiental, divulgadas pela mídia, são infundadas e esclarece que o projeto de pesquisa está regularmente cadastrado no IBAMA (autorização 13237-1) e que, a coleta de sedimentos na Serra do Amolar, embora incluída na solicitação 13237-1, não depende de autorização do Ibama.

Por entender que a pesquisa realizada pelo grupo é importante por datar e buscar entender a evolução do Pantanal a partir dos efeitos do clima sobre o ambiente, a Ecoa é parceira neste estudo e oferece apoio logístico para os pesquisadores na região da Serra do Amolar.

De acordo com Alcides Faria, diretor executivo da Ecoa, a pesquisa desenvolvida pelo grupo é complexa e de extrema importância para a conservação do Pantanal. “Há 3 anos estes pesquisadores estão na região e também em outras  áreas do Pantanal e é de conhecimento público seu trabalho, dificilmente outra universidade investiria em uma pesquisa desta natureza. Uma vez comprovada a condição de pesquisadores, porque seguem na prisão”? Questiona Alcides.

Em nota oficial divulgada para o jornal Folha de São Paulo, no dia 23 de junho, a Unesp afirma existir uma cooperação de pesquisa com a Universidade do Arizona, mas pela falta de um convênio formal entre as duas instituições de ensino, ela é impedida de defender na Justiça os envolvidos no caso.

Surpeendido com o fato, Dr. Rodolfo J. Angulo, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Quaternário (Abequa), redigiu uma carta na qual fala sobre a forma como os pesquisadores norte-americanos estão sendo tratados e como o fato prejudica os esforços que as instituições de ensino e pesquisa têm realizado para contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico do País.

"A cooperação internacional entre pesquisadores é uma das melhores formas que os países têm encontrado para manter a ciência e os cientistas atualizados. A cooperação internacional é fortemente incentivada pelo Governo Federal, pelo Ministério da Educação e pelas agências de fomento tais como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)", relata o Dr. Rodolfo.

O caso

Mark Andrew Tress,  Kellu Michael Wendt e Michael Matthew McGlue são doutorandos em Geologia na Universidade do Arizona, nos EUA, que estavam em companhia de dois pesquisadores da UFMS – Campus Pantanal e doutorandos do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista “Julio Mesquita Filho” (Unesp), Aguinaldo Silva e Fabrício Aníbal Corradini, foram surpreendidos pela PF na lagoa Baía Vermelha - Serra do Amolar, e presos sob a alegação de não possuírem permissão de órgãos do governo do Brasil, nem comprovante de intercâmbio ou convênio com entidade de pesquisa, além de possuírem apenas o visto de turistas. Acabaram acusados de usurpação de bem da União e pesquisa sem autorização, crimes cujas penas prevêem até cinco anos de detenção e aplicação de multa.

Agnaldo Silva e Fabrício Aníbal Corradino foram soltos após o pagamento de fiança. Os três pesquisadores norte-americanos permanecem presos na delegacia da PF em Corumbá.

A pesquisa

Intitulado “Sistemas deposicionais do Quaternário (Pleistoceno tardio/Holoceno) da Bacia do Pantanal Mato-Grossense, Centro-Oeste do Brasil" o projeto de pesquisa é desenvolvido com o objetivo de avaliar, a partir da coleta de sedimentos, as variações climáticas ocorridas na região nos últimos 30 mil anos e contribuem para a melhor compreensão das mudanças climáticas futuras e seus efeitos sobre os mais
diversos aspectos, como produção agrícola, riscos de acidentes naturais provocados por tempestades, enchentes, deslizamentos e erosão costeira, etc.

De acordo com Agnaldo Silva, a pesquisa serve também para datar e entender a evolução do Pantanal. Os estudos contribuem para aumentar o nível de conhecimento sobre a região e embasar os argumentos para conservação do Pantanal.
Maria Elisa Corrêa




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